Faturamento das livrarias mantém tendência de aumento

Em 2009 houve um aumento médio de 9,7% no faturamento dos 410 estabelecimentos (67% do setor) ligados à instituição, segundo o levantamento anual do segmento de livrarias, realizado pela Associação Nacional de Livrarias (ANL). Grandes redes obtiveram resultados ainda mais animadores. A Livraria Cultura cresceu quase 20%. A Nobel e sua rede de 196 lojas teve um aumento de 12% no faturamento e a carioca Travessa atingiu um acréscimo de 35% devido à abertura de dois novos pontos de venda. [Fonte: Beth Koike/Valor].

O desempenho ficou abaixo da expectativa do segmento, que era de 11,8%, mas a notícia é boa, se considerados todos os percalços do ano passado, como a crise financeira internacional e a gripe suína - a qual afastou o público dos shopping centers, onde a maioria dos pontos de venda estão localizados.

O resultado ainda é mais significativo se confrontado com outra pesquisa, O livro no orçamento familiar, divulgada recentemente pelo Instituto Pró-livro e encomendada por oito diferentes entidades envolvidas com o mercado editorial. Segunda ela, apenas 40,66% dos domicílios brasileiros adquirem algum tipo de material de leitura. Nessas casas, entre 0,4% e 0,6% do orçamento familiar é gasto com esse tipo de bem, dependendo da presença de estudantes ou não no domicílio.

É pouco, mas vale ressaltar que os dados que serviram de base à pesquisa foram coletados entre 2002 e 2003, na última Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) realizada pelo IBGE, quando o salário mínimo somava módicos R$200, comparados aos atuais R$510. Espera-se que os significativos aumentos nos níveis de poder aquisitivo e escolaridade observados desde então no Brasil reflitam de alguma forma nos padrões de consumo de materiais de leitura. A hipótese só poderá ser confirmada após o processamento dos dados da última POF, correspondente ao período entre junho/2008 e junho/2009, atualmente em curso e ainda sem divulgação prevista.

O levantamento da ANL já nos dá uma prévia dessa tendência. Por exemplo, em 2003, a compra de livros não-didáticos representava menos de R$10 por ano no orçamento de famílias com estudantes, 9,9% do dinheiro gasto com material de leitura em geral (entre jornais, revistas, etc.). Em 2009 os livros infanto-juvenis e a literatura em ficção - ambos geralmente associados ao lazer - foram as duas maiores áreas de crescimento nas vendas das livrarias brasileiras. Livros jurídicos, ligados a área de saúde, técnicos e acadêmicos ficaram apenas nas sétima e oitava posições. Os livros de auto-ajuda, em sexto, também perderam espaço no mercado.

Para 2010 as livrarias esperam um crescimento de 12,2% nas vendas. O maior potencial pode estar mesmo nas vendas on-line. Cerca de 30% das livrarias entrevistadas pela ANL não possuem serviço de venda eletrônica e para 50% das que possuem esta forma de comércio representa menos do que 10% do faturamento.


>Tenha aqui acesso à pesquisa O livro no orçamento familiar .

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